ENCONTROS DA VIDA: UM “CAUSO” INTERESSANTE NA “ZIMBA”

Por Thiago Streck Peres



Há algumas semanas atrás, estava eu em visita ao Seu Pedro, um cliente e amigo na cidade de Imbituba, próxima à Garopaba, a fim de planejar a data pro início de mais uma obra no seu estabelecimento, um surf bar na Praia da Vila. Eis que em meio à formalidade da reunião, até então estritamente profissional, e em resposta a um “ôôô Pedrão!” vindo da rua, o Seu Pedro levanta a mão, acena e grita um cumprimento bem amistoso pra um homem calvo, branco e de olhos claros que passava apressadamente pela calçada, com uma bola embaixo do braço e levando consigo dois adolescentes pra jogar uma pelada na beira da praia, que depois fui descobrir que eram seus filhos. Olhei, franzi a testa e precisei somente de alguns segundos pra reconhecer o cara que passava correndo na direção do mar. Quem?! Acreditem! Ele mesmo: o Grizzo!!!

Disse o Seu Pedro em seguida: “Aquele que passou lá fora é o Grizzo, ex jogador e há pouco foi treinador do Imbituba. Conhece o cara?! Ele é nosso vizinho, gente boa, mora ali na rua lateral.” Não me contive, ri alto e em bom tom, sem ele entender minha reação, é claro. Imediatamente a seriedade da conversa transformou-se num bate papo descontraído, e tratamos logo de marcar pra outro dia a continuidade da reunião pra falarmos de trabalho, que a essa altura já nem era mais tão importante. O Seu Pedro, sempre disposto, serviu à mesa dois chopes bem gelados pra falarmos sobre o Grizzo, sobre futebol, conseqüentemente do Pelotas, de Pelotas, da PD2 e obviamente de amigos, e nesse caso, de bons amigos. Foi na terceira ou quarta rodada de chopes que eu finalmente concluía ao Seu Pedro (e nessa altura pra mais dois ou três viventes que já estavam ao redor da mesa escutando as nossas histórias) que durante muitas segundas-feiras fui insistentemente chamado por todos de Grizzo lá no antigo Sabugão, no início da Santa Tecla. Lembro que até o saudoso, hilário e também parceiro Seu Gilberto (diga-se de passagem, dono de um dos maiores pares de orelhas que já presenciei), que quando não dormia sentado na cadeira quebrando o pescoço pra trás com a boca entreaberta e emitindo um ronco que nos fazia chorar de rir, entrava nessa onda e também pegava no meu pé: primeiro o Boca era o Van Der Sar, e depois eu, o Grizzo, barbaridade!

O Seu Pedro, motivado pela nossa conversa tratou, já nos dias seguintes e mesmo sem eu saber, de armar esse encontro. Até que na sexta-feira passada, em uma das minhas visitas à sua obra que atualmente já anda a passos largos, eis que surge o Grizzo descontraidamente perguntando se o tal Thiago de Pelotas estava por lá, e junto com ele a Dona Gorette se fez presente (esposa do Seu Pedro, também uma boa e gozadora amiga) com máquina fotográfica em punho, ordenando em tom de brincadeira: “Thiago, faz pose pra foto que essa vai pro facebook, e depois corre pro posto de saúde pra verificar a pressão porque a emoção é grande”. O Grizzo, sem perder tempo e em tom de chacota só pediu que não o fotografassem de perfil em função do seu anatômico nariz. Por que será?! Nesse raro enquadramento para o retrato (como já diria o Guigo Fiss) ainda um dos peões desligou a barulhenta betoneira pra pedir pra que eu tirasse a franja dos olhos. E meus caros amigos, a obra parou! Foram mais de 30 ou 40 minutos de uma conversa regada de simplicidade e simpatia, lembranças genuinamente alegres, lugares por onde andamos, causos da vida dele, especialmente o título da Copa do Brasil vestindo a 10 do Criciúma com o Luiz Felipe Scolari na casa mata, e assim o futebol obviamente foi o nosso assunto mestre. Ele contava muito feliz que, assim como nós, também é evangélico (quadrangular), até que a conversa foi interrompida por um dos meus carpinteiros que foi se aproximando, espantado, sério e com a mão no queixo: “Olhando assim mais de perto, um do lado do outro, é melhor pedir o DNA mesmo. Bem que a Dona Gorette tinha me dito!”. O próprio Grizzo ainda deu aquela zoada: “Poxa, sempre que conheço alguém que é maltratado com o apelido de Grizzo, esse cara não gosta muito. E tu aí curtindo a situação Thiagão?!” Enfim parceria, definitivamente agora Grizzo é meu codinome por aqui também.

Pra finalizar, seguem no post fotos históricas dos Grizzos aqui na “Zimba” (nome pelo qual os naturais do lugar se referem carinhosamente à cidade - coisa de Catarina) juntos pelos encontros que a vida reserva, e que nos fez lembrar, saudosos, de outros encontros e lugares que Deus teve e tem a bondade de nos inserir. O Grizzo pediu que eu repassasse abraços para toda a PD2, especialmente para o Vinícius, a quem visivelmente tem marcante consideração - também para o Felipe Muller, o Roger Bauer e o Matarazzo, atletas que segundo ele foram grandes parceiros de quando esteve por Pelotas. Não pude deixar de pedir pra que ele vestisse a gloriosa camisa da PD2, na versão de um dos primeiros modelos, número 5, para fechar com chave dourada esse momento para a posteridade. Quando percebeu o “Jesus é o Senhor” estampado nas costas vestiu o manto que celebra a amizade com um sorriso ainda mais largo.
Reforço o convite para que, assim que puderem, apareçam por aqui pra reeditarmos aquele Bra-Pel nas areias da Praia de Garopaba (com direito a foto no Espeto Corrido do Diário e tudo), mas fiquem sabendo os Xavantes que agora o Lobão tem o reforço do meu novo amigo Grizzo pra essa peleia. Mazááá!

Abraços fortes pra todos, em breve passo por Pelotas para nos vermos. Fiquem com Deus!